Há dias e dias
Dia de guerra em que o almejo é a Paz..
Mas naquele dia...
Parei
Respirei
Refleti
Empurrei o incômodo
Fechei os olhos
Imaginei a paz
a personifiquei
ela sentou ao a me lado
Me encarou
Seus olhos brilhavam
Sua serenidade durou pouco
Oras, até a paz enfureceu comigo
Foi fria
Direta
Me acusou de buscar guerra
Disse que alimentei ódio
Espalhei vingança
Sangrei a criatividade
Feri a razão
Fulminei a paciência
Procrastinei alegria
Ela não me poupou
Pelo contrário
Acusou
Culpou
Onde estava a calmaria?
O remanso?
Quietude?
Silêncio?
Num ímpeto fulminei:
- CALA-TE
Ironicamente ela sorriu
silenciou...
Por um momento cabisbaixa
Voltou mais dura
Hostil
Se pôs em pê
Despiu-se
Gritou:
- HIPÓCRITA
Quer trégua do que?
De você?
De peito aberto bradou:
Você vivência inquietude fingida
Meu peito está aqui
Atira
Mate o pouco que lhe resta!
Não tenho que lhe pajear
Não sou seu anjo protetor
Tampouco a estação final
Não estou aqui para um armistício
Você me inseriu ardilosamente na sua guerra
Brinca diariamente comigo
Me tortura
Já estive no muro de fuzilamento
Não enrole, atire!
Já estive com o pescoço na forca
Então exerça logo a função de carrasco
Ela partiu...
Antes,
fez questão de desenhar na minha face a marca da sua fúria!
Meu rosto ainda arde..

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